18
mar
11

Maria Bethânia e o imbróglio do MinC

A notícia da semana é o projeto aprovado junto à Lei Rouanet para a montagem de um blog que irá hospedar 365 videos, produzidos por Andrucha Waddington, em que Maria Bethânia irá declamar poesias.  Com valor de captação de R$1,3MM o tema criou muita confusão, virou trend topic no twitter e multiplicam-se as mensagens em grupos de emails e blogs, mas tudo muito mal explicado e com argumentos rasos.

Primeiramente foi divulgado que o valor do projeto era para a criação de um blog, uma inverdade, já que o grande custo do projeto é a produção audiovisual.  Depois houve outra grande movimentação de críticas que diziam ser muito caro o custo de aproximadamente R$3.500 / video, mostrando total desconhecimento do mercado.  Por fim uma publicação do MinC tentando justificar a aprovação e confundindo as leis de incentivo federais, que deixa claro, mais uma vez, que a atual equipe no comando do minisério não tem nenhuma afinidade com a pasta que comanda.

O que realmente chama a atenção é que temos uma grande quantidade de pseudo-produtores culturais que colocam o seu ponto de vista de modo a desvalorizar a cadeia produtiva da cultura, o que tem impacto sobre o seus próprios trabalhos, já que banalizam o valor imaterial das obras e questionam o acúmulo de uma artista que há décadas está no mercado com reconhecimento internacional.  Quanto ao Ministério da Cultura, este equívoco apenas soma-se a outros acumulados neste princípio de 2011 antes mesmo de completarem-se os primeiros 100 dias de gestão.

A discussão em torno da cultura sempre foi corporativista.  Críticos são os que não conseguem captar recursos, mas basta conseguirem uma boquinha que logo se tornam árduos defensores do sistema.

Preocupante é a falta de um debate qualificado em torno do processo cultural, suas cadeias produtivas e dos valores imateriais associados aos bens culturais; temas de suma importância para o avanço de políticas publicas e do aprimoramento estético de linguagens.  O cenário dos próximos 4 anos de gestão do MinC é desafiador e a confiança na capacidade dos gestores públicos é muito pequena.

A coisa tá feia, a coisa tá preta… quem não for filho de Deus, tá na unha do capeta” – Tião Carreiro e Pardinho


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