Posts Categorizados ‘filosofia

14
mai
09

Neutralidade na Internet

Uma rede global interligada em que não existe hierarquia dirigida no tráfego da informação possibilitou um incrível avanço na difusão e desenvolvimento de conteúdos e ferramentas que despertam o interesse dos usuários já conectados e a curiosidade daqueles que ainda não se conectaram.  Atualmente este cenário que caracterizou os primeiros passos da grande difusão da internet está em cheque devido a interesses econômicos que exercem forte lobby a favor da discriminação do tráfego de conteúdos em favor de um ou outro que deseje contratar uma banda diferenciada ou até em exclusividade, independente da escolha do usuário comum.

A neutralidade que caracteriza a internet atualmente e que possibilitou a emersão de inúmeras inovações corre perigo.  Muitas foram as soluções encontradas que deram vazão à criatividade humana neste contexto de livre troca de informações, mas ainda há muito a evoluir e esta evolução está ameaçada.  A livre competição está intimamente ligada a livre escolha do usuário e esta realidade foi o que gerou tão rápido desenvolvimento.

A discriminação, por empresas que conectam o usuário comum à nuvem de conhecimento disponibilizado pela internet, beneficiará apenas grandes empresas provedoras de conteúdos e de serviços mantendo á margem pequenos empreendedores do mesmo segmento.

Embora a problemática envolvida tenha implicação direta no aspecto econômico e de infra-estrutura de acesso é pertinente abrir o olhar à reflexão das implicações jurídica, social e cultural da questão.

Muito se discute sobre a necessidade da criação de leis específicas que legislem sobre as novas condições estabelecidas pelas possibilidades criadas acerca da internet, porém grande parte deste debate está centrado em crimes e não nas condições a priori que regem o aparato em torno da rede mundial de computadores e a sua constituição deve se orientar por uma neutralidade legal que não se paute por interesses isolados, mas naquilo que identificamos como a possibilidade de democratizarmos o conhecimento e a livre associação em comunidades orientadas por afinidades.

O parâmetro estabelecido atualmente nas mídias convencionais não pode ser tomado como referência já que é baseado em concessões governamentais ou em poder de compra de consumidores.  A internet propicia a troca mútua e livre de informação de forma descentralizada.  Justamente este é o seu valor e o solo fértil para a difusão do imaginário criativo em escala global que envolve tanto o grande quanto o pequeno produtor.

Referências como centro e periferia, países desenvolvidos ou em desenvolvimento, perdem o sentido em uma estrutura fragmentada onde cada ponto está livremente conectado a qualquer outro.  Agir contra esta nova estrutura é favorecer assimetrias e desigualdades.

 

A passagem do telefone ao rádio separou claramente os papéis.  Liberal, o telefone permitia que os participantes ainda desempenhassem o papel do sujeito.  Democrático, o rádio transforma-os a todos igualmente em ouvintes, para entrega-los autoritariamente aos programas, iguais uns aos outros, das diferentes estações.”[1]

 

Este trecho, publicado em 1944, reflete sobre a chamada Industria Cultural e, embora não tenha acompanhado as novas possibilidades abertas pela internet, descreve o processo de massificação a que são expostos os usuários que têm acesso dirigido aos conteúdos disponibilizados.  No contexto da internet, o controle da informação restringe o espaço de manifestação da diversidade cultural presente em diferentes partes do planeta e este processo de contínua extinção de costumes locais e padronização de comportamentos advoga em favor de interesses de minorias detentoras de poder.  Poder do monopólio da informação e que tenta concentrar para si toda uma cadeia produtiva em torno desta nova economia que vem se estabelecendo ao longo da consolidação da rede mundial de computadores e que ainda não pode ser facilmente compreendida.  Cabe à consciência das pessoas de nosso tempo o desenvolvimento de leis que preservem a legitimidade da colaboração, do compartilhamento e da criação de novas oportunidades de expressão e desenvolvimento que hoje sonhamos poderem ser viabilizados por uma internet neutra e inclusiva.

 


[1] ADORNO, Theodor W. e HORKHEIMER, Max – Dialética do Esclarecimento, Jorge Zahar Editor Ltda., Rio de Janeiro, 2006, pág. 100

18
jan
09

Artigo Burkina Faso 1a. Parte (português)

Em tempos de organização social em rede através do constante aprimoramento tecnológico da internet, percebemos que muitos conflitos de interesse se acumulam em torno do compartilhamento e da produção de conteúdos audiovisuais.  Para a discussão de temas para os quais ainda não temos solução foi criado o Fórum Internacional de Governança na Internet – IGF, que, em sua terceira edição no ano de 2008, foi realizado na cidade de Hyderabad, Índia.

O imaginário coletivo associa, muitas vezes, a internet a um modelo anárquico de livre expressão de idéias e intercâmbio de conteúdos, portanto, ao reunirmos certo grupo de pessoas que debatem acerca de bases para a constituição de regras logo vem à mente o modelo ocidental positivo de contrato social.

Generosa foi a curadoria das mesas de debate temático que buscou aprofundar três eixos temáticos embasados no desafio da inclusão do próximo bilhão de usuários globais na internet, nas dificuldades de infra-estrutura de acesso que essa inclusão implicará e, ainda, como se dará este processo no trato de tamanha diversidade humana em que um universo lingüístico não encontra representatividade de conteúdos frente a um número restrito de idiomas que prevalecem na web.

Segundo previsões deveremos atingir a expressiva marca de um bilhão de usuários de internet em 2009, portanto, é o momento apropriado para refletir uma ética global a partir do que já observamos nestes primeiros passos de consolidação de redes sociais transnacionais e devemos nos perguntar sobre os desafios que deveremos enfrentar no processo de inclusão do próximo bilhão de usuários.  É importante discutirmos como podemos partilhar este espaço com os próximos que se juntarão a redes, produzirão textos, podcasts e vídeos distribuídos em canais globalmente conectados como o celular, a internet e a tv digital.

O encontro de culturas tão diversas produz, inevitavelmente, choques ao passo que perdemos a referência espacial entre ocidente e oriente, periferia ou centro, e passamos a nos identificar conceitualmente enquanto redes.  O futuro nos obriga a buscar soluções que atuem em mediação com fins de equilibrar, em oposição ao modelo da negociação predominantemente utilizado na cultura ocidental, que favorece o aparecimento de assimetrias gritantes devido à propagação cumulativa da margem de erro da negociação às camadas mais distantes dos centros de decisão e pode facilmente ser observado pela análise da infra-estrutura de conexão das regiões mais carentes do planeta, cuja precariedades aumenta o custo por tecnologias alternativas mais sofisticadas.  Injustamente vivemos um modelo em que o custo de produtos e serviços é extremamente maior para os que menos podem pagar, o caso da maior parcela da população mundial.

Afora lançarmos a atenção a aspectos técnico-físicos relativos a acessibilidade, nos obrigamos a enfrentar o desafio de produção de conteúdo que identifique realmente esta diversidade.  Neste aspecto a escolha da Índia como anfitriã do IGF também foi muito apropriada devido a grandeza populacional e da miscelânea cultural de seu bilhão de falantes distribuídos em diversas línguas particulares de cada região do país.

O rompimento do padrão espacial estabelecido aproxima o rural e o urbano, o materialismo e o espiritualismo, e nunca a noção de valor foi tão distanciado do ícone do dinheiro como no momento histórico em que vivemos.  Devemos avaliar a importância dos preciosos conhecimentos tradicionais de culturas longevas, sua oralidade, sua mitologia, línguas e artes são de valor inestimável.  Neste novo contexto de rede global, o conceito de Humanidade ganha em significado.  Afinal, todos os homens e mulheres do planeta são partícipes desta comunidade chamada Humanidade?

11
dez
08

tempo e espaço em Kant

A filosofia kantiana se distinguiu por observar e criticar as principais correntes dominantes do início do  século XVIII: o empirismo e o racionalismo dogmático.  Em comum estas correntes tinham o descrédito em qualquer possibilidade de fim último na razão que não fosse exterior.  Os primeiros os buscavam na natureza e os outros em um ser externo e supremo.

Em oposição entendiam a impossibilidade entre sensibilidade e entendimento coexistirem no processo de conhecimento, cada lado defendia arduamente apenas uma faculdade, enquanto kant não só admitia a compatibiliadade como construiu sua formulação de juízos sintéticos a priori a partir da conjugação destas duas faculdades mediadas pela imaginação.

A crítica da razão pura é dividida em duas partes: Estética Transcedental e Lógica Transcedental.

Interessa-nos neste post a estética e como Kant partiu do princípio metafísico dos conceitos de tempo e espaço para reforçar sua filosofia transcendental.

A maneira como indexamos conhecimento referente a qualquer objeto se dá por meio da intuição, mas esta só pode atuar quando se confronta com o objeto na subjetividade e, portanto, necessita de estímulos que o identifique de forma sensorial, enquanto matéria, para, na subjetividade, quando analisado do ponto de vista de sua forma, conhecermos ou associarmos conhecimento a este objeto.

Os conceitos de Espaço e Tempo, na concepção kantiana, devem ser compreendidos tanto  por sua objetividade quanto por sua subjetividades, sendo que o subjetivo é o que é encontrado a priori no sujeito, ou seja, é puro, independente de qualquer sensação e que, quando aplicado, sempre funciona.

Este conceito iluminista de que a razão conduz à verdade e à justiça herdado dos gregos caiu em uma armadilha ao não considerar a complexidade das relações humanas e por subestimar a força exercidas pela somatização das sensações no constructo do sujeito.

Kant partiu de premissas que hoje sabemos serem parciais de que o tempo é linear e o espaço tridimensional. Não mais desta forma construímos conhecimento a partir destes conceitos.

O sujeito contemporâneo não é mais transcendetal, mas um constructo1, plural e não mais totalizante. A razão iluminista se esgota quando exerce sua função prática de regular a moral das inter-relações humanas a partir de regras rígidas legisladoras universais. A filosofia atualmente tenta mapear as contradições do mundo de nosso tempo e buscar o que deu errado no projeto moderno, mas não se ampara em bases seguras com as que Kant proporcionou pois ainda não compreende a relação metafísica de tempo e espaço nas bases da elasticidade e da curvatura. Do mesmo modo como Kant sucedeu Newton, ainda não encontramos um par para suceder Einstein. Muito já foi produzido pela psicanálise e pela própria filosofia alemã frankfurtiana, mas a fusão ainda não consegue performar a fenomenologia do sujeito contemporâneo.

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1 Referência a Hansen, João Adolfo em Pós-moderno & Cultura

24
nov
08

Alfredo Bosi: A Origem da Palavra CULTURA

A Origem da Palavra CULTURA

Alfredo Bosi

Fonte: Liter&Art Brasil

Uma definição da cultura hoje em dia se tornou particularmente difícil, porque a cultura pode ser estudada de vários pontos de vista e precisaríamos escolher uma perspectiva para poder defini-la.

Como professor de língua portuguesa e pessoa que sempre se dedicou ao estudo do que se chama de Humanidades, eu gostaria de remontar ao primeiro significado da palavra cultura na tradição romana. A palavra cultura é latina e sua origem é o verbo colo. Colo significava, na língua romana mais antiga, “eu cultivo”; particularmente, “eu cultivo solo”. A primeira acepção de colo estava ligada ao mundo agrário, como foi Roma antes de se transformar naquele império urbano que nós conhecemos. Os romanos começaram efetivamente pela agricultura. A palavra agricultura diz muito: “cultura do campo”.

Inicialmente, a palavra cultura, por ser um derivado de colo, significava, rigorosamente, “aquilo que deve ser cultivado”. Era um modo verbal que tinha sempre alguma relação com o futuro; tanto que a própria palavra tem essa terminação –ura, que é uma desinência de futuro, daquilo que vai acontecer, da aventura. As palavras terminadas em –uro e –ura são formas verbais que indicam projeto, indicam algo que vai acontecer. Então a cultura seria, basicamente, o campo que ia ser arado, na perspectiva de quem vai trabalhar a terra.

Esse significado material da palavra, relacionado com a sociedade agrária, durou séculos; até que os romanos conquistaram a Grécia e foram em parte helenizados. Nós sabemos a extrema importância da cultura grega, da arte e da filosofia grega para o desenvolvimento da cultura romana. E os gregos tinham já uma palavra para o desenvolvimento humano, que era paideia.

Paideia significava o conjunto de conhecimentos que se devia transmitir às crianças – paidós (criança é paidós) – daí Pedagogia, que é a maneira de levar a criança ao conhecimento. Dessa raiz é que se criou paideia, que por volta do primeiro século antes de Cristo, o momento forte da helenização de Roma, passou para o Império Romano e carecia de uma tradução em latim. Os romanos sabiam o que era paidéia, pois os seus pedagogos eram escravos gregos que iam para a Itália; alguns contratados e outros como escravos deveriam trabalhar para os seus donos e tinham a função de ensinar grego e retórica para os meninos das famílias patrícias.

Nessa altura, a Grécia também exercia a função de “emprestar” palavras; começava-se a usar palavras gregas freqüentemente entre os romanos. Só que, por outro lado, o nacionalismo romano também exigia que se traduzissem os termos gregos. E qual era o paralelo que eles podiam fazer? Os romanos não tinham nenhum termo que significasse “conjunto de conhecimentos que deveriam ser transmitidos à criança”.

Mas, conhecendo a palavra paideia e não querendo usá-la porque era uma palavra estrangeira, passaram a traduzi-la por cultura. A palavra cultura passou do significado puramente material que tinha em relação à vida agrária para um significado intelectual, moral, que significa conjunto de idéias e valores.

E é tardio isso, só a partir do primeiro século é que se encontram exemplos da palavra nessa acepção; se a gente for aos dicionários de latim compilados depois da época imperial, encontramos cultura sempre definida em primeiro lugar como o amanho do solo, o trabalho sobre o solo, ligado sempre ao verbo colo e seus derivados, por exemplo: in-cola – aquele que mora num certo lugar; inquilino – aquele que mora num lugar que não é seu; colônia – lugar para onde se deslocam trabalhadores que vão arar em outras terras. Culto vem do particípio passado de colo (colo é o verbo, que tem um particípio passado: cultus), é aquilo que já foi trabalhado. Depois, passou a ter um significado espiritual-religioso. Aliás, entre parênteses, nós não sabemos se o significado religioso foi anterior ou posterior ao significado material. Agora, cultura certamente sabemos que passou de um significado material para um significado ideal e intelectual.

Essas observações que estou fazendo, etimológicas, poderão nos servir como um fio em nosso discurso, porque ambos os significados sobreviveram nas línguas modernas. Podemos falar na cultura do arroz, na cultura da soja, na cultura do trigo, entendemos muito bem que é uma terra cultivada; falamos em cultivo (palavra também derivada de colo) e mais ainda, com freqüência, usamos a palavra cultura na acepção ideal, que é muito rica, porque traz dentro de si, na forma verbal terminada em -ura, a idéia de futuro, de projeto.

Se tivéssemos que definir a palavra a partir dessas considerações, teríamos uma riqueza de possibilidades, porque a cultura, pensada como um conjunto de idéias, valores e conhecimentos, traz dentro de si, em primeiro lugar, a dimensão do passado. Muitos conhecimentos foram herdados de outras gerações, não estamos começando do zero, muito pelo contrário, cada ano que passa acumula mais conhecimento. Cada vez mais a dimensão cumulativa, a dimensão de passado, se impõe. É extraordinário como a nossa memória tem que ficar cada vez mais enriquecida, porque o tempo passa e a memória cresce proporcionalmente.

Sem dúvida nenhuma, a primeira idéia que temos quando falamos em cultura é a de transmissão de conhecimentos e valores de uma geração para outra, de uma instituição para outra, de um país para outro; subsiste sempre a idéia de algo que já foi estabelecido em um passado – que pode ser um passado próximo ou um passado remoto. Evidentemente, nossa cultura tecnológica tem proximidade com a Revolução Industrial e com tudo o que veio depois, ao passo que a cultura humanística deve remontar aos gregos e aos romanos, há 2.000 ou 3.000 anos atrás. Não importa: seja um passado recente, séculos XIX e XX, seja um passado remoto (antes de Cristo, ou épocas arcaicas), sempre a palavra cultura carrega dentro de si a idéia de transmissão de idéias e valores.

Mas, voltando à etimologia, cada vez mais nos preocupamos com a outra dimensão, que é a dimensão do projeto. Não basta que nós herdemos do passado todas essas riquezas, é preciso que continuemos aprofundando certos veios; se a cultura está sempre “in progress”, ela está sempre em fase de desvios, ela não é algo estabelecido para sempre. Só as culturas em decadência é que fixam, congelam, tal como a cultura bizantina, que, dizem, durante mil anos repetiu as fórmulas do Império Romano do Oriente; ou a cultura chinesa, antes de a China entrar em contato com o mundo ocidental, também codificou formas, comportamentos; a japonesa também.

No mundo contemporâneo, ao contrário, cada vez menos nos atemos à fixidez das fórmulas e cada vez mais (como a cultura é um complexo de conhecimentos científicos, técnicos etc., e não só históricos) nos preocupamos em criar projetos de cultura; e cada vez mais, além desta criação, os nossos ideais democráticos exigem uma socialização do conhecimento. Não só cavar na matéria em si da cultura, mas também estendê-la na linha da comunicação, na linha da socialização; e fazer com que este bem seja repartido, distribuído, da maneira mais justa e mais ampla possível, o que é próprio da sociedade democrática.

Alfredo Bosi nasceu em São Paulo em 23 de agosto de 1936. Professor universitário, crítico e historiador da literatura brasileira. Ocupa a cadeira 12 da Academia Brasileira de Letras.

21
out
08

a máscara e o homem

Do mesmo modo como a linguagem visual contemporânea trabalha com camadas sobrepostas de resignificação de conteúdo, a utilização de máscaras é bastante antiga na cultura global.  Muito se fala das divergências culturais e simbólicas entre oriente/ocidente, mas através da máscara encontramos um ponto comum da raiz humana que identificou este traço do julgamento estético que soma símbolos a fim de se alterar as relações entre os particulares e os universais.

Na Grécia Antiga, Téspis invadiu uma cerimônica religiosa com uma máscara de Dionísio e criou este dilema que fica entre a profanação do sagrado e a sacralização do humano.

Na filosofia da pós-modernidade existe a construção de termos que ajudam a reflexão deste fenômeno.  O pastiche e a esquizofrenia.  O primeiro trata de uma representação desinteressada, ou seja, sem compromisso com aquilo que é mimetizado.  A máscara é de Dionísio, mas não se espera que as pessoas acreditem que um dos deuses encontra-se entre eles, mas ainda assim alguns atributos simbólicos desta matriz divina são percebidos.  A esquizofrenia, do grego fender/clivar+espírito, ou seja, uma desordem da linguagem ocasionada a partir de uma deficiência infantil ao domínio da fala e da linguagem, segundo a psicanálise, parece ser incorporada na cultura de modo que sabemos lidar com esta sobreposição de referências humana/divina.

Aparece em voga este tipo de construção artística como um dos elementos da arte urbana e do design digital que se apropria de superfícies de linguagem dispostas de forma que desintegra o significado e o reconstrói continuamente, seja em sua relação com o espaço ou com o tempo.

Esta estrutura estética pode também extrapolar-se para a vida, em que o processo colaborativo de construção de conhecimento agrega estas diferentes camadas representativas da diversidade dos homens e que pode romper com o individualismo radical da década de 60, que sacraliza o gozo sem proibições, a cultura do tudo já, nas palavras de Lipovestky.

Tudo ainda não foi posto à mesa, mas algumas indicações já possibilitam a identificação de constelações que podem indicar para onde rumamos.  Resta caminhar.

29
set
08

Texto de Excomunhão

Essas palavras fazem parte do texto de excomunhão de Espinosa, promulgada pela comunidade judaica de Amsterdam a 27 de julho de 1656.

“Pela decisão dos anjos e julgamento dos santos, excomungamos, expulsamos, execramos e maldizemos Baruch de Espinosa…  Maldito seja de dia e maldito seja de noite; maldito seja quando se deita e maldito seja quando se levanta; maldito seja quando sai, maldito seja quando regressa…  Ordenamos que ninguém mantenha com ele comunicação oral ou escrita, que ninguém lhe preste favor algum, que ninguém permaneça com ele sob o mesmo teto ou a menos de quatro jardas, que ninguém leia algo escrito ou transcrito por ele.”




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